Oficina Memória e História – as relações entre a história oficial e a memória urbana da Lapa

No dia 15 de abril de 2016, foi realizada a oficina Memória e História – as relações entre a história oficial e a memória urbana da Lapa, ministrada pelo professor Ederson Santos Lima, na Casa do Patrimônio da Lapa, uma ação promovida em parceria pelo Instituto Federal do Paraná – IFPR e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan.

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Na oficina os participantes foram convidados a refletir sobre o que é Memória e História. São sinônimos? São complementares? São concorrentes? Por que tanta necessidade de História e lugares de memória nos dias atuais? Como as mudanças rápidas promovidas pelas novas tecnologias criam novas formas de sociabilidade, que interferem na interação geracional, na transmissão de saberes, e no processo natural de esquecimento?

Para ajudar a pensar tais questões, alguns autores foram mobilizados, tais como: Eric Hobsbawm, Pierre Nora, Maurice Halbwachs e José Murilo de Carvalho.

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Temas como a invenção de tradições e a construção de heróis balizaram as discussões, e a todo o momento os participantes eram incentivados a buscar as conexões com a história e a memória da Lapa. Foi debatido, por exemplo, como a figura do General Carneiro toma determinada importância e passa inclusive a dar nome a praça da Igreja Matriz de Santo Antônio, que antes se chamava Praça Coronel Eduardo Correia. Como esse processo se deu? Como a história do Cerco da Lapa marca os lugares e as narrativas sobre a cidade? O que era a cidade da Lapa antes de 1894, antes do cerco? Por que essa história anterior à Revolução Federalista não é difundida?

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Foto: Guilherme Glück. (Acervo do Museu da Imagem e do Som / PR)

Por meio de fotografias antigas, os participantes identificaram o que permanece e o que não mais existe, aquilo que desapareceu com o tempo e o que foi preservado. “Quem morava ali? O que funcionava naquele lugar? Por que o imóvel foi demolido? Olha como as pessoas se vestiam! Não tinha aquela porta pra rua!” Entre perguntas, comentários, momentos de surpresa e nostalgia, os participantes se depararam com passagens da história da Lapa ainda pouco conhecidas, como a foto dos “Cruzadinhos”. Ou mesmo a história do médico Dr. Manoel Pedro, que dá nome ao grupo escolar desde o ano de 1900.

A oficina tomou a rua, e uma caminhada pelo Centro Histórico abriu-se para a experiência sensorial com a cidade e suas múltiplas temporalidades. Os participantes observaram as mudanças no espaço e as alterações de uso dos imóveis. E muitas histórias e memórias individuais foram contadas e compartilhadas com o grupo.

Agradecemos a todos os participantes, professoras e funcionários dos museus que estavam nesse encontro. E esperamos revê-los na próxima oficina!

Oficina: Guilherme Glück – a memória fotográfica da Lapa

Dia 29/04 sexta-feira, das 9h às 17h, na Casa Lacerda

Atividade gratuita

Mai informações: oficinasdacasalacerda@gmail.com

Livro sobre pêssankas contribui para a preservação e difusão da cultura ucraniana no Brasil

Obra contém 146 páginas que mostram em textos e fotografias dessa arte que chegou ao Brasil no fim do século XIX por meio da imigração ucraniana

Pêssanka, ovos escritos, expressão da cultura ucraniana no Brasil foi lançado dia 15 de novembro, na sede do Clube Ucraniano, no município de União da Vitória. O livro é resultado de projeto financiado pelo edital do Programa Nacional do Patrimônio Imaterial (PNPI), instituído pelo Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e execução do Folclore Ucraniano Kalena.  O lançamento da obra teve apoio da Academia de Cultura Precursora da Expressão – Acupre.

De acordo com o coordenador do livro, Vilson José Kotviski, os objetivos da publicação são resgatar, difundir, transmitir e preservar esta secular tradição ucraniana. “Durante o ano passado, a equipe do projeto visitou 20 colônias ucranianas no Paraná e Santa Catarina, buscando na memória dos imigrantes e descendentes os processos de feitura das pêssankas”, explicou. A iniciativa também realizou oficinas que ensinaram as técnicas da escrita nos ovos, com a participação de 380 alunos. O livro contém 146 páginas que mostram em textos e fotografias da arte que chegou ao Brasil no fim do século XIX por meio da imigração ucraniana.

Kotviski destacou que o projeto contou com o envolvimento de mais de 500 pessoas. “A obra traz a público as etapas de desenvolvimento e os resultados do projeto. Acreditamos que poderá contribuir para a valorização da cultura dos imigrantes ucranianos e seus descendentes, bem como fortalecer os laços comunitários, a continuidade da arte da pêssanka e o desdobramento de futuras pesquisas”.

A solenidade de lançamento do livro contou com a presença do historiador Juliano Martins Doberstein, do IPHAN do Paraná, do prefeito de União da Vitória, Pedro Ivo Ilkiv, do presidente da Representação Central Ucraniana-Brasileira, Vitório Sorotiuk, da cantora Ruslana, uma das vozes mais populares do cenário musical da Ucrânia, membros do Folclore Ucraniano Kalena, da equipe do projeto do livro, moradores e do folclore infantil do grupo Kalena, que fez apresentações de dança no evento.

Para Juliano Doberstein, o universo descrito no livro possibilita o registro das tradições ucranianas para as futuras gerações e o seu fortalecimento. Vitório Sorotiuk lembrou que a obra é uma forma de preservar a cultura da Ucrânia no Brasil. Disse que, a partir desta iniciativa e de outras que já existem, visando à preservação da cultura ucraniana, solicitará que as pêssankas, a exemplo da capoeira e do samba, sejam reconhecidas como patrimônio cultural brasileiro. O prefeito Pedro Ilkiv afirmou que a publicação será uma referência da cultura ucraniana no Paraná  e um incentivo para os jovens preservá-la.

FICHA TÉCNICA

Pêssanka – ovos escritos, expressão da cultura ucraniana no Brasil

Coordenação geral dos textos – Vilson José Kotviski

Fotografias – João Marcos Hunhevicz e Lucio Kurten dos Passos

Capa e produção gráfica – Luciane Mormello Gohl e Fernando Cesar Gohl

Acompanhamento técnico e revisão de textos – Janaína dos Santos Moscal, Juliano Martins Doberstein e Lia Mity Ono

Impressão – Gráfica Editora Kaygangue Ltda

146 páginas

ISBN 978-86-89625-32-6

Novo Conceito – Assessoria em Comunicação
Jornalista responsável e fotos
Maria Isabel Maranhão Ritzmann – MTB 5838

Texto: Ana Maria Ferrari

Fandango Caiçara é reconhecido como patrimônio cultural brasileiro

Fandango

Mestre Nemésio, presidente do grupo Pés de Ouro

Muito mais do que uma música: uma expressão cultural. Assim pode ser definido o Fandango Caiçara – o mais novo patrimônio cultural brasileiro. Encontrado principalmente em municípios do litoral paulista e paranaense o Fandango é uma forma de expressão vinculada à organização de trabalhos coletivos – onde vizinhos se reúnem para ajudar a erguer uma casa ou durante os preparativos para um casamento. Ao fim do dia, o organizador oferece como pagamento aos ajudantes voluntários um fandango, espécie de baile com comida farta.

Hoje em dia, as comunidades caiçaras comemoram com fandango os aniversários, casamentos, batizados, a Festa de São Pedro, as romarias do Divino e a louvação a São Gonçalo. São momentos onde a comunidade atualiza as notícias e reforça as relações de parentesco, a convivência entre tocadores, dançadores, preservando a memória e a prática das diferentes músicas e danças. Mas nem sempre foi assim. Antigamente, o Fandango era muito mais presente na vida da comunidade.

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Audiência Pública

Fandango, lançamento de livro, exibição de vídeo com depoimentos dos pescadores de tainha e apresentação dos resultados obtidos com a aplicação do INRC – Inventário Nacional de Referências Culturais, de Paranaguá.

Confira na galeria abaixo como foi a Audiência Pública realizada na Ilha do Mel, em dezembro de 2012, sobre os desafios e perspectivas para a pesca artesanal no litoral paranaense.

Encontro marca encerramento da exposição fotográfica na Ilha do Mel

Um grande encontro irá marcar o encerramento da exposição fotográfica que retrata a pesca artesanal da tainha na Ilha do Mel. A exposição ficou aberta para visitação na Fortaleza Nossa Senhora dos Prazeres entre os meses de setembro e dezembro. O trabalho faz parte do Inventário Nacional de Referência Culturais (INRC) do Município de Paranaguá.

 

Para documentar o ofício dos pescadores que acampam na Praia do Miguel, em Encantadas, a Superintendência do Iphan no Paraná contratou uma equipe de pesquisadores e documentaristas. Além do registro escrito e de observações de campo, a pesquisa foi retratada pelo olhar de quatro fotógrafos.

O evento acontece no dia 12 de dezembro. O barco que levará os participantes sairá de Encantadas às 13h30. As vagas são limitadas.

Mais informações: 3264-7971

Galeria de imagens do Seminário de Patrimônio Imaterial e Cultura Afrobrasileira

Confira a galeria de imagens do Seminário de Patrimônio Imaterial e Cultura Afrobrasileira e das Oficinas para a formulação do Plano Estadual de Salvaguarda da Capoeira, que aconteceram nos dias 20 a 23 de novembro, em Curitiba/PR.

Paranaguá recebe o Palacete Mathias Böhn totalmente restaurado

O centro de Paranaguá, cenário repleto de prédios históricos e ruas antigas, ainda revestidas de pedra como nos tempos da colônia, recuperou, em setembro de 2012, mais um de seus cartões postais: o Palacete Mathias Böhn. Localizado na Rua da Praia, o prédio foi construído no início do século XIX e faz parte do conjunto arquitetônico do Centro Histórico de Paranaguá, tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em dezembro de 2009.

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A construção original, com características da arquitetura luso-brasileira, teve sua fachada reformada no início do século XX, quando foi adquirido pelo rico empresário alemão Mathias Böhn. O comerciante conferiu ao imóvel uma ornamentação característica do ecletismo arquitetônico, configuração mantida até hoje. Seus dois pavimentos eram destinados ao uso comercial (térreo) e residencial (andar superior), distribuição característica da época. Anteriormente, o prédio já havia sido sede da Prefeitura de Paranaguá, da Câmara Municipal e da Alfândega Portuária.

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Pêssankas: uma tradição passada de geração a geração

Desde maio de 2012, mais de 200 pessoas de 12 comunidades ucranianas do Paraná e de Santa Catarina já participaram das oficinas do projeto Pêssanka: ovos escritos, expressão da cultura ucraniana no Brasil. Estas pequenas obras de arte fazem parte de um dos mais bonitos costumes trazidos pelos imigrantes ucranianos que vieram para o Brasil no final do século 19. Nos ovos, cada traço, figura ou cor pode ter um significado especial que expressa o carinho daquele que faz da pêssanka um presente cheio de boas intenções.

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Segundo o coordenador do projeto, Vilson José Kotviski, a pêssanka é uma arte que merece ser preservada. “O projeto está sendo um impulso muito grande em toda a nossa região. Creio que assim como eu tive oportunidade de aprender, tenho o dever de transmitir essa tradição maravilhosa a todos que tenham interesse e é uma alegria ver os jovens animados e surpresos em perceber a sua capacidade”, enfatiza.

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Cerco poético abre a Primavera nos Museus na Lapa

A Casa Lacerda, palco de uma das mais importantes passagens da história do Paraná, abrirá suas portas no dia 23 de setembro para o início do Cerco Poético da Lapa. O evento é uma alusão ao cerco histórico que a cidade sofreu durante a Revolução Federalista de 1894 e aos vários cercos que sofremos todos os dias de nossas vidas, como os do imaginário, por exemplo. Desta vez, as armas usadas serão a fotografia, a música e a poesia.

Os trabalhos serão abertos com a exposição fotográfica Lapa – Cerco Poético, organizada pelo Iphan e pela Portfólio Escola de Fotografia. A mostra traz os disparos de 12 fotógrafos (Adriano Bassani, Cleber Yamaguchi, Danilo Caldas, Fabiano Rocha, Heloisa Domingues, Irene da Silva, Johann Stollmeier, Kristiane Foltran, Lu Barbosa, Melanie d’Haese, Nilo Biazzetto Neto e Sergio Silvestri) que caminharam com suas câmeras em punho pelas ruas da cidade e agora revelam múltiplos olhares sobre o patrimônio cultural.

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Exposição fotográfica retrata a pesca artesanal na Ilha do Mel

A pesca artesanal da tainha na Ilha do Mel sob o olhar de quatro fotógrafos: Flávio Rogério Rocha, Gesline Braga, Ricardo Machado e Leandro Souza. Esse é o tema da exposição que vai abrir, no dia 25 de setembro, a 6° Primavera dos Museus na Ilha do Mel, em Paranaguá. Para desenvolver os trabalhos, no inverno de 2011, uma equipe de pesquisadores e documentaristas contratada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Paraná (Iphan/PR) realizou um trabalho de identificação e documentação desse ofício junto aos pescadores de tainha que acampam na Praia do Miguel, em Encantadas.

Exposição fotográfica retrata a pesca artesanal na Ilha do Mel

 

O projeto está inserido em uma ação institucional mais ampla, o Inventário Nacional de Referência Culturais (INRC) do Município de Paranaguá. A metodologia do INRC visa identificar, descrever, documentar e sistematizar em arquivos de consulta pública o chamado patrimônio imaterial da região, como celebrações, saberes, modos de fazer, ofícios, entre outros.

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