Preservação de Sítio Arqueológico em Guaíra

Dona Shista Maranguta, 94 anos.

Dona Shista Maranguta, 94 anos.

Entre os dias 6 e 10 deste mês uma equipe especializada da Superintendência do Iphan-PR esteve no município de Guaíra com o objetivo de auxiliar a Polícia Federal na localização e identificação de sítio arqueológico localizado às  margens do Rio Paraná. A vistoria foi realizada em razão de denúncia de possível destruição desse patrimônio.

Professor Alaudio Velasquez - turno da manhã

Professor Alaudio Velasquez – turno da manhã

Convidado pelo DPF/PR, o Iphan disponibilizou uma equipe técnica com o objetivo de subsidiar a investigação. Estiveram envolvidos nessa ação conjunta Daniela Gadotti Sophiati, arqueóloga do Iphan/PR, Geslline Giovana Braga, antropóloga do Iphan/PR, Almir Pontes, representante da Secretaria de Cultura do Estado do Paraná e representantes da Polícia Federal, estes com o encargo de obter provas da denúncia recebida.

Chegando ao local as equipes observaram certa preocupação na região. Esse desconforto foi causado tanto pela denúncia e destruição de parte do sítio arqueológico protegido pelo Estado, pelo desconhecimento da comunidade local quanto às peculiaridades da cultura indígena, como pelo compromisso de proteção constitucional do patrimônio Nacional.

Atendimento médico

Atendimento médico

O local é formado por aldeamento onde vivem 68 famílias Avá-Guarani. Essa população sobrevive basicamente da plantação de mandioca, abóbora e batata-doce e da criação de alguns animais domésticos, que é complementada por cestas básica. Na aldeia não há água potável, obrigando o grupo a coletar água nos riachos, contaminados por produtos agrotóxicos, função essa por vezes desempenhada por crianças. Em sua estrutura, a aldeia é constituída basicamente por moradias, pela Casa de Reza, local de rito diário e por uma escola bilíngue; também recebem visitas semanais de uma equipe médica e há uma agente de saúde que mora no local.

Vista da Tehoka Jevy às margens do Rio Paraná

Vista da Tehoka Jevy às margens do Rio Paraná

A Princípio a equipe do Iphan passou a delimitar a área e a interagir com os grupos envolvidos com o objetivo de aproximar e orientar os trabalhos para obter um resultado mais eficaz. Foi identificado o sítio arqueológico e nele constatada a presença de diferentes vestígios, principalmente cerâmicos, que puderam ser visualizados em uma vasta área, inclusive na superfície. O sítio arqueológico foi inicialmente delimitado por meio de prospecções sistemáticas e após foram realizadas vistorias no subsolo para identificação de camadas arqueológicas preservadas. Nesse momento, guiados pelo cacique da Anatálio Ortiz, a equipe identificou um ‘perfil’ de solo exposto por atividade de retroescavadeira, e nele se visualizava claramente as camadas de terra depositadas ao longo dos anos. Nesse ‘perfil’ de terra exposta havia uma parcela do sítio ainda preservada, mesmo após os impactos realizados. Nela, os extratos se apresentavam em camadas com evidências arqueológicas de cerâmicas em contexto, permitindo a equipe técnica compreender a formação do sítio arqueológico.

Plantação de mandioca

Plantação de mandioca

Nesse local foi realizada a coleta de algumas amostras dos objetos utilizados pelos antigos povos indígenas, para posterior análise em laboratório e possível datação. Além dos procedimentos de pesquisa arqueológica, a área foi escaneada pela equipe de peritos da Polícia Federal, com auxílio de equipamento GPR (Ground Penetrating Radar), identificando evidências de vestígios arqueológicos no subsolo e confirmando a denúncia de destruição parcial realizada.

No resultado dos trabalhos ficou evidenciado que partes do sítio arqueológico foram impactadas, mas também foi possível levantar novas informações a respeito da ocupação humana na região em período anterior à chegada dos colonizadores e também do momento de contato entre estes e as sociedades indígenas.

Casa Reza

Casa Reza

Em função do que a equipe evidenciou, o Iphan programa fazer uma exposição fotográfica local com objetivo educativo, visando o fortalecimento da identidade da comunidade indígena e a valorização do patrimônio Nacional, e programa propor medidas de conservação e gestão compartilhada do patrimônio arqueológico presente no local.

Confira o slide de fotos!

Fotos de Geslline Braga e Daniela Sophiati

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Sobre Iphan/PR

Há mais de 60 anos, o Iphan vem realizando um trabalho permanente de identificação, documentação, proteção e promoção do patrimônio cultural brasileiro. A 10ª Coordenação Regional, atual Superintendência Estadual do Iphan em Curitiba, surgiu a partir da evolução do Escritório Técnico do Paraná, criado em 1984 e subordinado até 1990 à 9ª CR.

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