Mapeamento dos Clubes Sociais Negros do Paraná

Foto do Site da Fundação Palmares

Foto do Site da Fundação Palmares

A Superintendência do Iphan-PR iniciou o processo de mapeamento dos Clubes Sociais Negros do Paraná – CSN,  parte integrante do processo desse Registro como Patrimônio Imaterial do Brasil, por meio de convênio entre o Iphan e a Unesco, e envolve a SEPPIR/PR e a Fundação Palmares.

Um levantamento prévio indicou a existência de cinco Clubes Sociais Negros no Paraná: Sociedade Operária Beneficente Treze de Maio, de Curitiba, fundada em 1888; Clube Recreativo e Literário Treze de Maio, de Ponta Grossa, fundado em 1889; Clube Estrela da Manhã, de Tibagi, fundado em 1934; Clube Rio Branco, de Guarapuava, fundado em 1919; Associação Recreativa Operária de Londrina, fundado em 1930.

As primeiras visitas às sedes, realizadas pelo historiador do Iphan Juliano Doberstein e pela consultora da Unesco/Iphan Geslline Giovana Braga, aos clubes foram seguidas de entrevistas com os representantes e aconteceram entre os dias 24 e 26 de setembro nas cidades de Tibagi, Ponta Grossa e Guarapuava, respectivamente.

Comemoração do 5º aniversário do Clube Estrela da Manhã, 1955. Acervo do Museu Histórico Des. Edmundo Mercer Jr, Tibagi - PR

Comemoração do 5º aniversário do Clube Estrela da Manhã, 1955. Acervo do Museu Histórico Des. Edmundo Mercer Jr, Tibagi – PR

Em Tibagi, a Presidenta Maria Olímpia Taques foi entrevistada na sede do Clube Estrela. Esse clube social foi reativado em 2013 com novo estatuto, quadro de associados, brasão e diretoria; graças aos esforços da presidenta e da comunidade. De acordo com Neri de Assunção, historiador do Museu Histórico, o clube foi fundado por ex-escravos negros, em sua grande maioria garimpeiros, que tinham sua entrada proibida em outros lugares de recreação na cidade.

O Clube Recreativo e Literário de Ponta Grossa é o segundo mais antigo do Paraná, fundado em 1889. Atualmente a sede enfrenta problemas financeiros e é alugada para terceiros que realizem bailes da terceira idade no salão. A sede do Clube foi tombada por Lei Municipal como Patrimônio Material. Como relembra Vera Lúcia, representante do clube: “o ‘Treze’ é um lugar de resistência e afirmação para comunidade negra em Ponta Grossa.

 Clube Literário e Recreativo Treze de Maio, Ponta Grossa

Clube Literário e Recreativo Treze de Maio, Ponta Grossa

Na cidade de Guarapuava, o Clube Rio Branco tem registro dos seus documentos e fotografias preservados pelo Sr. Tuto, ex-presidente do clube e filho dos fundadores da Associação. Entre as suas memórias está a do Grêmio das Violetas, associação feminina das lavadeiras organizadas por sua avó. Essa agremião, que garantiu aporte financeiro para a fundação do Clube Rio Branco, justifica que o nome do clube está ligado à travessia do Atlântico e sua grande espuma branca. De acordo com  Carlos Eduardo Burkhard, Diretor de Assuntos Culturais, o clube está fechado há quase uma década, por problemas judicias que serão resolvidos em breve. Para a reabertura do Clube Rio Branco estão previstos projetos ligados à cultura e as artes afro-brasileiras.

Essa primeira parte do processo de mapeamento demonstrou que os três Clubes Sociais Negros enfrentam dificuldades para sua manutenção e tem em seus representantes um esteio de garantia de continuidade. Em Tibagi, Ponta Grossa e Guarapuava os Clubes Negros vêm resistindo à decadência do movimento clubista, às especulações imobiliárias e demais adversidades da contemporaneidade.  O Estado do Paraná, onde muitas vezes predominou a invisibilidade negra, os Clubes Sociais Negros são lugares de resistência, ancestralidade e memórias.

Juliano Doberstein, Sr. Tuto de Freitas e  Carlos Eduardo Burkhard,

Juliano Doberstein, Sr. Tuto de Freitas e Carlos Eduardo Burkhard,

Esse mapeamento faz parte dos instrumentos utilizados no processo do registro como patrimônio imaterial brasileiro. Nessa fase inicial, esse instrumento evidenciará a presença e contribuição cultural negra no Paraná. A superintendência do Iphan-PR que atua com a sociedade construindo políticas de identificação, reconhecimento, proteção e promoção do patrimônio cultural, visa garantir o direito à memória e contribuir para o desenvolvimento socioeconômico do país.

Serão mapeadas em outubro a Associação Recreativa Operária, de Londrina, e a Sociedade Operária Beneficente Treze de Maio, de Curitiba. No mês de novembro, os representantes dos CSN do Paraná se encontrarão em Curitiba para apreciação dos resultados do mapeamento e trocas de experiências. Em dezembro, os representantes dos clubes sociais irão representar o Paraná no 3º Encontro dos Clubes Sociais Negros do Brasil, em Porto Alegre – RS.

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Sobre Iphan/PR

Há mais de 60 anos, o Iphan vem realizando um trabalho permanente de identificação, documentação, proteção e promoção do patrimônio cultural brasileiro. A 10ª Coordenação Regional, atual Superintendência Estadual do Iphan em Curitiba, surgiu a partir da evolução do Escritório Técnico do Paraná, criado em 1984 e subordinado até 1990 à 9ª CR.

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