Seminário de Patrimônio Ferroviário: reflexão, mobilização e troca de experiências

O Seminário de Patrimônio Ferroviário, promovido pelo Iphan Paraná, no auditório do Goethe Institut de Curitiba, terminou no dia 13 de novembro, com mais uma série de apresentações de experiências sobre a preservação do patrimônio ferroviário nacional.

As considerações do professor Eduardo Romero Oliveira na palestra Memória, Território e Ativação: observações sobre o Patrimônio Ferroviário Paulista abriram o terceiro dia do seminário 

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O professor abordou os patrimônios remanescentes industriais a partir de uma reflexão sobre a transformação de seus valores e usos. E fez um relato sobre as práticas preservacionistas contextualizando alguns processos engendrados durante a comemoração do centenário de implantação da ferrovia no Brasil. Acrescentou também que a preservação desse patrimônio ferroviário deve passar pelas políticas públicas de planejamento urbano, pensando a ferrovia a partir de questões atuais como mobilidade, moradia, sustentabilidade, cuidado com os idosos, entre outras questões contemporâneas. O professor trouxe também alguns dados de pesquisas em andamento, relativos à destinação e ao “uso cultural” do patrimônio ferroviário. Ele acredita que para preservar é preciso fazer com que esses bens ferroviários tenham utilidade, senão corre-se o risco de se transformarem apenas em tótens. “O patrimônio ferroviário deve corresponder a questões contemporâneas”, afirmou.

As boas práticas 

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No Painel Boas Práticas participaram a professora Ana Inez Schreiner, Mestre em Patrimônio Cultural e Sociedade pela Univille; Adonai Aires de Arruda Filho, Diretor da Serra Verde Express e Vice-presidente da ABOTTC – Associação Brasileira das Operadoras de Trens Turísticos e Culturais; Regina Célia Alegro, Diretora do Museu Histórico de Londrina; Ednei Mansano, Presidente da Fundação Cultural e de Turismo de Apucarana; Rosi Rogenski Fereira, Vice-prefeita e secretária de Educação de Arapoti, e Pedro Leocádio Delgado, Secretário de Indústria, Comércio e Turismo de Jaguariaíva.

DSC_0086A professora Ana Inez Schreiner falou sobre a Estação Ferroviária de Porto União (SC) e União da Vitória (PR). Relatou as experiências de preservação da memória ferroviária dessas duas cidades, o trabalho de restauro feito no prédio e quais usos estão sendo dados à estação e vila ferroviária.

Na sequência, Adonai Arruda Filho, falou sobre Trens Turísticos, apresentando os procedimentos e requisitos para a implantação, além de dados e informações recentes sobre o funcionamento de trens turísticos no Brasil. Atualmente são 33 trens de turismo compondo o patrimônio ferroviário nacional em operação. Ele concluiu lembrando que viajar de trem também é uma forma de preservar. Contou que no ano passado mais de 3,5 milhões de pessoas fizeram viagens de trem nos vários roteiros disponíveis no país.DSC_0102

DSC_0116Regina Celia Alegro apresentou o Museu Histórico de Londrina, vinculado a Universidade Estadual de Londrina, que ocupa o prédio da antiga Estação Ferroviária de Londrina, que por suas linhas arquitetônicas constitui-se em marco histórico da colonização inglesa do Norte do Paraná. A missão do Museu é desenvolver ações de resgate, preservação e divulgação do patrimônio cultural de Londrina e região, procurando tornar visível a trajetória histórica de sua sociedade; dar suporte ao ensino, pesquisa e extensão e promover a reflexão crítica da realidade histórica, contribuindo para a renovação e melhoria da qualidade de vida e da dimensão cultural da população. E dentro desse patrimônio encontra-se a memória ferroviária da região. De acordo com ela, a ferrovia é um elemento fundamental para Londrina e foi responsável pelo seu desenvolvimento. Lembrou que a cabine da bilheteria da estação ferroviária foi restaurada e encontra-se no hall do museu. O acervo do museu ainda conta 340 peças, incluindo dois carros ferroviários, uma locomotiva, um tender de abastecimento, vestuários, uniformes, objetos de trabalho do cotidiano da ferrovia, itens de comunicação, relógios entre outros. Informou que todo o trabalho de preservação é feito por meio de parcerias. Atualmente, o Museu recebe mais de 43 mil visitantes ao ano e desenvolve atividades com o apoio do PROEXT – Programa de Extensão Universitária.

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DSC_0160O Museu Histórico do Café foi o tema da apresentação de Ednei Mansano. Ele contou que o município de Apucarana realizou a restauração da antiga estação ferroviária e de três casas, localizadas em 12 mil metros quadrados, que abrigam hoje o Espaço Cultural Pioneiros do Café, localizado no Distrito de Pirapó. De acordo com ele, a estruturação do espaço ocorreu em quatro fases. A primeira foi a aprovação do plano de revitalização da Estação Ferroviária de Pirapó, com a avaliação do Iphan e liberação de recursos financeiros. As obras de revitalização, a busca de acervo técnico do museu e estruturação dos recursos humanos para a inauguração constituíram as demais fases do projeto. Todo o processo de restauro e reforma manteve as características originais, preservando a memória cultural e histórica das construções. O terreno recebeu obras de urbanização externa.

DSC_0182A vice-prefeita de Arapoti Rosi Rogenski Ferreira trouxe para o Seminário a experiência da cidade em relação à preservação do patrimônio ferroviário local. A Casa da Cultura – Memoria Capão Bonito, instalada na estação ferroviária está interditada. Mas ressaltou que todo o acervo da estação está preservado e tombado pelo patrimônio. Disse que a cidade se formou em torno da estrada de ferro e que a ferrovia foi fundamental para o desenvolvimento econômico, social e cultural de Arapoti. Lamentando as condições em que se encontra a estação – “condenada por causa dos cupins”, Rosi informa que em 2015 a estação completa 100 anos e que espera que consiga os recursos necessários para restaurar a estação como uma forma de comemorar o seu centenário. Destacou que quer revitalizar os vagões que abrigam oficinas de artesanato, atividades de teatro, de dança, gastronomia e eventos culturais diversos. 

DSC_0263Segundo o secretário de Jaguariaíva, Pedro Leocádio, a estação ferroviária da cidade de Jaguariaíva se constitui num belo exemplar arquitetônico. Construída em alvenaria no padrão de uma estação de médio porte possui estrutura de uma estação de primeira classe. A atual estação teve sua inauguração no ano de 1935. Para ele, assim como ocorreu em outras cidades brasileiras, a instalação da estação passou a constituir ponto de referência para a comunidade. Por isso, atualmente a cidade esta dividida geograficamente em duas partes: Cidade Alta, originária da antiga fazenda da família Lobo, e Cidade Baixa, formada após a implantação dos trilhos da ferrovia São Paulo – Rio Grande e de sua respectiva estação. A cidade favorecida por este meio de transporte assumia uma postura de progresso, já que a invenção mais fascinante do século estava lá, atraindo pessoas, negócios e melhorias urbanas. Nesta perspectiva sobre a ferrovia, foram atraídos investimentos em Jaguariaíva, como as indústrias Matarazzo, que lá se instalaram em 1920. Incrementaram a economia local instalando um parque fabril com um grande frigorífico. Pedro Leocádio conta que a estação era muito movimentada com a venda de 500 bilhetes por dia. Com a desativação da ferrovia, o município passou a dar uma utilização ao espaço com a realização de atividades culturais e turísticas. “Fizemos uma Estação Cidadã, com serviços do Ministério Público, defensoria, Procon, Serviço Militar, centro de informações turísticas etc.”. Também tem um escritório do sindicato dos ferroviários (atualmente são 200). No complexo Matarazzo, a cidade mantém almoxarifados das secretarias e os 100 carros oficias, além do cineteatro com capacidade para 290 pessoas.

No pronunciamento que encerrou o Seminário, o superintendente do Iphan no Paraná, José La Pastina Filho, agradeceu a todos pela participação no encontro. “A riqueza das experiências, o compartilhamento de ideias e conhecimentos foram fundamentais. A vivência mostrada aqui comprova a preocupação da sociedade, das universidades, das instituições públicas e privadas na preservação e manutenção do acervo ferroviário do país”.

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Texto: Ana Maria Ferrarini

Fotos: Zinho Gomes

Novo Conceito Assessoria em Comunicação

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