Panorama do Segundo Dia do Seminário de Patrimônio Ferroviário

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Estudos da UEPG sobre preservação e usos do patrimônio ferroviário

Estudos da Universidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG sobre a preservação e usos do patrimônio ferroviário foram tema da palestra do professor e pesquisador Leonel Brizolla Monastirsky, proferida no segundo dia do Seminário de Patrimônio Ferroviário, em Curitiba. Filho de ferroviário, Leonel viveu a ferrovia e morou às margens da linha férrea. Em sua apresentação, levantou questões interessantes e mostrou os trabalhos que contribuem para os debates sobre a savalguarda do patrimônio cultural sob os pontos de vista da escolha, conservação e uso dos espaços, incluindo os bens materiais e imateriais.  Lembrou que a ferrovia é considerada patrimônio cultural em todo o mundo. Também falou sobre o impacto que a ferrovia trouxe para a economia, integração do Brasil no mercado mundial, ocupação populacional e das fronteiras agrícolas, além da urbanização e a memória social. Para ele, o processo de preservação desse patrimônio cultural dever passar pela implantação de políticas públicas, e o Iphan deve normatizar a escolha, conservação e o uso e aos governos cabe a execução.

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DSC_0035A memória dos ferroviários antigos na preservação do patrimônio ferroviário

Mestre em geografia, Viviane Caliskevstz, durante o Seminário de Patrimônio Ferroviario, falou sobre sua cidade natal – Fernandes Ribeiro – que cresceu e se desenvolveu por causa da ferrovia. De acordo com ela, a ferrovia se apresenta como uma transformadora de processos econômicos e da socieade do século xx. Em sua palestra, Viviane focou os estudos que realizou com os idosos que vivem em cidades que surgiram às margens da malha ferroviária, e apresentou alguns relatos de ferroviários. Destacou que essas pessoas devem ser reconhecidas como patrimônio cultural vivo e problematizou as formas de transmissão desses saberes como condição para tal reconhecimento. Como incluir a memória dos ferroviarios?

Paulo Sidney, engenheiro da exitnta RFFSA, que participou da palestra, afirmou a importância do trabalhador ferroviário para o desenvolvimento do Brasil. “Eu sou de família ferroviária. Ser ferroviário não é uma profissão, é uma paixão”. Lembrou de sua vida na ferrovia, das sensações e da participação dela na história das pessoas, além do papel de abrir as fronteiras para conhecer o mundo. Segundo ele, quando a RFFSA foi privatizada, os ferroviários que atuavam na época recolheram do lixo da concessionária mais de duas mil peças que hoje estão em museus de todo o Paraná e compõem hoje a memória da ferrovia no estado.

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Experiências de recuperação do patrimônio ferroviário em Santa Catarina

Santa Catarina possui uma malha ferroviária menor em comparação ao Paraná e São Paulo. Mas tem boas experiências de recuperação de gestão do patrimônio ferroviário. A Superintendente do Iphan em Santa Catarina, Liliane Janine Nizzola, e a arquiteta e urbanista do instituo, Cristiane Biazin, apresentaram no Seminário de Patrimônio Ferroviário as ações e iniciativas desenvolvidas. De acordo com elas, Santa Catarina tem 51 bens inscritos e valorados na lista do patrimônio cultural ferroviário. São 13 estações, 9 armazéns, 15 casas ferroviárias, 2 casas de agente, 2 restaurantes e 10 terrenos. Elas descreveram os projetos desenvolvidos nos bens ao longo da malha ferroviária catarinense, ressaltando que tanto a sociedade civil, a prefeitura e a concessionária vem compartilhando as ações. Ressaltaram que o uso tem sido para a implantação de museus, arquivos públicos e históricos, escritório do Iphan, fundação cultural etc.

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Mesa debate gestão do patrimônio ferroviário

Gestão do patrimônio ferroviário foi debatida durante o segundo dia do Seminário de Patrimônio Ferroviário. Participaram das discussões José Rodrigues Cavalcanti Neto, coordenador do Patrimônio Ferroviário do Iphan, Dinarte Antônio Vaz, superintendente da SPU no Paraná, Geraldo José Sigwait Ramires, engenheiro do DNIT-PR, Sérgio Augusto Fernandes, Engenheiro Especialista em regulação da ANTT e José Luiz Oliveira, Coordenador- Geral de Patrimônio Ferroviário do DNIT. Eles apresentaram as ações desenvolvidas pelos órgãos na questão da gestão do patrimônio ferroviário. Disseram que o espólio da extinta RFFSA é gigantesco. Tem 37 mil quilômetros de malha ferroviária e mais de 51 mil bens imóveis não operacionais e cerca de 55 mil imóveis operacionais. Afirmaram também que é imenso o acervo documental (fotografias, plantas, etc.). Comentaram também sobre a fiscalização de obras que estão sendo solicitadas e realizadas nos bens ferroviários, problemas burocráticos e compartilhamento de atividades. Concordaram que não dá para preservar tudo como memória ferroviária e enfatizaram a falta de recursos e o número reduzido de funcionários que atuam nesses órgãos.

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Experiência de recuperação da estação ferroviária de Ibiporã

O secretário  de Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal de Ibiporã, arquiteto Julio Dutra, trouxe para o segundo dia do Seminário de Patrimônio Ferroviário, a experiência de recuperação da Estação Ferroviária de Ibiporã. Hoje no local funciona o Centro Socioeducacional Turístico e Cultural de Ibiporã. O imóvel, oriundo da extinta RFFSA, foi cedido ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), para que o município realizasse a sua revitalização. O bem se encontrava em estado de abandono desde a década de 70. Segundo Dutra, o  novo complexo está situado na antiga área da Estação Ferroviária, onde foi instalado o Museu do Café, um Centro de Produção de artesanato, gastronomia, costura e telecentro; a nova sede da Secretaria Municipal de Educação, incluindo um anfiteatro, bem como a nova sede da Secretaria Municipal de Assistência Social, o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS). Com este projeto, a área torna-se um ponto obrigatório de visitação de turistas e de espaço de convivência para as famílias.

Museu conta a história ferroviária de Curitiba DSC_0239

A curadora Fernanda Souza, apresentou aos participantes do Seminário do Patrimônio Ferroviário, o do Museu Ferroviário de Curitiba. Com um acervo de mais de 600 peças, o museu tem por objetivo preservar a memória ferroviária, que apresentou participação fundamental na história da economia paranaense e brasileira, segundo Fernanda. Entre os itens do acervo, se destacam um grande livro de contabilidade da antiga estação, relógios, telégrafos e uma réplica de locomotiva a vapor. O local oferece visitas monitoradas para grupos escolares, podendo ser personalizada de acordo com o nível escolar e os assuntos debatidos pelos alunos em sala de aula. Por meio de diversos painéis que apresentam o desenvolvimento dos transportes, as importações e exportações e, também, a economia da cidade, o Museu Ferroviário de Curitiba conta parte da história social e econômica da capital paranaense. Localizado no Shopping Estação, o museu é um convite para uma viagem histórica, que tem início na bilheteria original e nas peças de antigas estações e trens. O Museu Ferroviário é um dos pontos turísticos de Curitiba e recebe, entre 8 e 9 mil pessoas por mês.

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Os ferroviários da Estada de Ferro Madeira- Mamoré

Conhecida como a Ferrovia do Diabo, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré foi construída às margens dos rios Mamoré e Madeira, em Rondônia. Uma vez finalizada, possuía 364 quilômetros de extensão. Durante 40 anos, as obras começaram e foram interrompidas por três vezes. O principal obstáculo para a viabilização do projeto eram as doenças que assolavam a região: malária, tifo e beribéri. Outro problema eram os ataques de índios. Pessoas de 40 nacionalidades participaram da construção da Madeira-Mamoré. A ferrovia foi inaugurada em 1º de agosto de 1912. A estrada acabou sendo desativada em 1972. Em 1980, o governo de Rondônia iniciou um projeto de recuperação. Os 7 quilômetros reconstituídos operaram com fins turísticos até 2000.

Após apresentar um panorama da estrada de ferro, a historiadora Carolina Pena de Alencar mostrou seu trabalho de memória oral realizado no local com os ferroviários. Ela mostrou tambem a recuperação dos equipamentos da ferrovia, incluindo um grande galpão, que após a desativação da linha, foi ocupado por usuários de drogas e moradores de rua. Ela também falou sobre a afetividade que os ferroviários nutrem pela ferrovia. “São pessoas de mais de 80 anos que passaram a cuidar da estação e da ferrovia após a desativação. Reunidos em uma cooperativa conseguiram recuperar e revitalizar o local”, afirma. Carolina colheu depoimentos emocionantes dos ferroviários sobre como ingressaram no trabalho, a função que exerciam, o sistema disciplinar, a desativação e depois a ativação para fins turísticos. Para ela, ficou claro que o grupo almeja as políticas preservacionistas.

texto: Ana Maria Ferrarini /Novo Conceito Assessoria em Comunicação

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