Iphan no Paraná abre Seminário de Patrimônio Ferroviário

O Superintendente do Iphan no Paraná, José La Pastina Filho, abriu nesta segunda-feira (11 de novembro), o Seminário de Patrimônio Ferroviário, que reúne até quarta-feira (13 de novembro) gestores municipais, representantes de instituições culturais, professores e estudantes universitários, no auditório do Goethe-Institut de Curitiba.
Ao lado do coordenador de Patrimônio Ferroviário do Iphan, José Rodrigues Cavalcanti Neto, do Superintendente do Patrimônio da União no Paraná, Dinarte Antonio Vaz; e Mauro Mello Piazzetta, chefe da Unidade Regional de Curitiba da Inventariança da extinta Rede Ferroviária Federal S.A. – RFFSA, La Pastina falou da importância do evento para a preservação do patrimônio ferroviário paranaense.
 “Os temas apresentados no encontro, com certeza, são relevantes para a viabilização da guarda adequada e novos usos do patrimônio ferroviário brasileiro, ampliando a participação da sociedade civil, governos estaduais e municipais, instituições culturais e iniciativa privada”.  Desde 2007, o Iphan tem a incumbência de analisar e declarar valor cultural aos bens móveis e imóveis oriundos do espólio da extinta RFFSA.
Para Dinarte Vaz e Mauro Piazzetta, o seminário é uma oportunidade de compartilhar ideias e experiências que reverterão em resultados positivos para a ampliação da preservação do patrimônio ferroviário no país e, principalmente, no Paraná.
foto abertura
Experiências positivas em Minas Gerais 
foto palestra matheus
O arquiteto e urbanista do Iphan em Minas Gerais, Matheus Guerra Cotta, apresentou durante o Seminário de Patrimônio Ferroviário, experiências bem conduzidas em regiões do estado mineiro. Falou também sobre a legislação que prevê a cessão de uso dos espaços do espólio da RFFSA para projetos de preservação do meio ambiente cultural. Entre as experiências, Matheus citou o projeto que está sendo realizado em Sertãozinho (SP), numa antiga usina de açúcar. Trata-se de uma ação denominada de Zeladoria do Patrimônio. Foram selecionados 15 jovens da região, todos com ensino médio, e eles ganham uma bolsa em reais por mês para aprender a lidar e cuidar de um prédio histórico. De acordo com ele, a ideia de formar zeladores do patrimônio para conservar bens públicos pode também ser adotada para preservar a memória ferroviária.
Importância da ferrovia no desenvolvimento do Paraná foto palestra arnoldo
Em sua palestra sobre a importância da ferrovia no desenvolvimento do Paraná, durante o Seminário de Patrimônio Ferroviário, o radialista e pesquisador Arnoldo Monteiro Bach contou um pouco sobre os livros que escreveu e que retratam a história do Paraná. Em especial falou sobre o título “Trens”, uma pesquisa sobre os meios de transportes utilizados no estado, começando pelos carroções, passando pelas diligências e vapores até a construção da ferrovia Paranaguá-Curitiba.   A narrativa conta com muitos personagens e fatos históricos e mostra a evolução dos transportes de carga e de passageiros. Segundo ele, a chegada do trem no Paraná foi um acontecimento na época, gerou até mesmo protestos dos carroceiros que se sentiram ameaçados pela novidade. “Procurei mostras o vínculo afetivo, econômico e social das pessoas à ferrovia. Espero que este seminário seja uma reflexão sobre a importância de se resgatar e preservar a história das ferrovias”.
Mesa de Debate: Gestão do Patrimônio Ferroviário
Gestão do Patrimônio Ferroviário foi o tema discutido na mesa redonda do Seminário de Patrimônio Ferroviário, e contou com a participação  do ex-Gestou Governamental no Paraná, Paulo de Tarso Barreto de Faria; do Chefe da chefe da Unidade Regional de Curitiba da Inventariança da extinta RFFSA, Mauro Mello Piazzetta, e do  Procurador da República no município de Apucarana, Dr. Gustavo de Carvalho Guadanhin.
foto mesa redonda
Em sua fala, Paulo de Tarso frisou que a gestão do patrimônio ferroviário é um assunto muito complicado. “Acredito que isso não existe. Não temos expertise. Precisamos de estrutura, de marketing e de equipe de negociadores que assessorem as instituições que desejam ocupar os espaços do espólio da RFFSA no Paraná. Ampliar e facilitar o acesso ao crédito e ao financiamento para que estas instituições tenham condições de cumprir o contrato e usar os prédios públicos de maneira a respeitar a preservação da memória desses locais”.
Piazzetta contou que foram inventariados todos os bens integrantes do patrimônio da RFFSA num trecho de dois mil quilômetros linha férrea. Até hoje, 30 mil peças já foram catalogadas. Das 160 estações operando antes da privatização, apenas 22 estão abertas atualmente e sob a responsabilidade da América Latina Logística – ALL, concessionária que administra a malha ferroviária no Paraná.
Para ilustrar o trabalho do Ministério Público em relação à preservação do patrimônio ferroviário do Paraná, o procurador da República Guadanhin lembrou sobre o Termo de Ajustamento de Conduta – TAC firmado com a América Latina Logística (ALL), no qual a concessionária se comprometeu a restaurar seis estações ferroviárias em cinco municípios na região. Na ocasião, a ALL estaria descumprindo seu dever legal e contratual de preservar aqueles bens – muitos dos quais patrimônios tombados e cuja paisagem ferroviária foi reconhecida de interesse do Iphan.
Trilhos revelam a paisagem ferroviária de Curitiba
foto palestra dayana e fabianoA antropóloga e pesquisadora Dayana Zdebsky e o historiador Fabiano Stoiev apresentaram no Seminário de Patrimônio Ferroviário a pesquisa “Pelos Trilhos: paisagens ferroviárias de Curitiba”, primeiro volume da coleção “Registro & Identificação”, viabilizada pela Fundação Cultural de Curitiba, por meio do Fundo Municipal de Cultura.  Durante oito meses, dois ramais ferroviários foram totalmente esquadrinhados e palmilhados diariamente, resultando em fotografias, entrevistas, levantamentos arquitetônicos, anotações de leituras e impressões em blog e site. O trabalho mostrou a importância da ferrovia na constituição de Curitiba, a urbanização e a ocupação às margens dos ramais ferroviários, com viés marcando as questões antropológicas, econômicas, sociais e históricas, no período de 1880 até hoje.
Desafios da Preservação do Patrimônio Ferroviário
O arquiteto e urbanista Antonio Soukef Jr., com larga experiência na área de restauração do patrimônio histórico, trouxe para o Seminário de Patrimônio Ferroviário suas impressões sobre a maior ferrovia brasileira a Estrada de Ferro de São Paulo, mas precisamente entre Santos e Jundiaí, trecho construído e administrado pela Companhia Brazil Railway, da Inglaterra. Mostrou a situação dos edifícios da São Paulo Railway, procurando chamar a atenção para a relevância que seu acervo adquiriu como patrimônio industrial. Em ambas as cidades, sobreviveram exemplares significativos que se encontram ameaçados pelo desconhecimento de seus valores e por conta de ações que são executadas visando interesses especulativos em detrimento dos valores culturais e históricos.
foto palestra soukef
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