Livro sobre pêssankas contribui para a preservação e difusão da cultura ucraniana no Brasil

Obra contém 146 páginas que mostram em textos e fotografias dessa arte que chegou ao Brasil no fim do século XIX por meio da imigração ucraniana

Pêssanka, ovos escritos, expressão da cultura ucraniana no Brasil foi lançado dia 15 de novembro, na sede do Clube Ucraniano, no município de União da Vitória. O livro é resultado de projeto financiado pelo edital do Programa Nacional do Patrimônio Imaterial (PNPI), instituído pelo Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e execução do Folclore Ucraniano Kalena.  O lançamento da obra teve apoio da Academia de Cultura Precursora da Expressão – Acupre.

De acordo com o coordenador do livro, Vilson José Kotviski, os objetivos da publicação são resgatar, difundir, transmitir e preservar esta secular tradição ucraniana. “Durante o ano passado, a equipe do projeto visitou 20 colônias ucranianas no Paraná e Santa Catarina, buscando na memória dos imigrantes e descendentes os processos de feitura das pêssankas”, explicou. A iniciativa também realizou oficinas que ensinaram as técnicas da escrita nos ovos, com a participação de 380 alunos. O livro contém 146 páginas que mostram em textos e fotografias da arte que chegou ao Brasil no fim do século XIX por meio da imigração ucraniana.

Kotviski destacou que o projeto contou com o envolvimento de mais de 500 pessoas. “A obra traz a público as etapas de desenvolvimento e os resultados do projeto. Acreditamos que poderá contribuir para a valorização da cultura dos imigrantes ucranianos e seus descendentes, bem como fortalecer os laços comunitários, a continuidade da arte da pêssanka e o desdobramento de futuras pesquisas”.

A solenidade de lançamento do livro contou com a presença do historiador Juliano Martins Doberstein, do IPHAN do Paraná, do prefeito de União da Vitória, Pedro Ivo Ilkiv, do presidente da Representação Central Ucraniana-Brasileira, Vitório Sorotiuk, da cantora Ruslana, uma das vozes mais populares do cenário musical da Ucrânia, membros do Folclore Ucraniano Kalena, da equipe do projeto do livro, moradores e do folclore infantil do grupo Kalena, que fez apresentações de dança no evento.

Para Juliano Doberstein, o universo descrito no livro possibilita o registro das tradições ucranianas para as futuras gerações e o seu fortalecimento. Vitório Sorotiuk lembrou que a obra é uma forma de preservar a cultura da Ucrânia no Brasil. Disse que, a partir desta iniciativa e de outras que já existem, visando à preservação da cultura ucraniana, solicitará que as pêssankas, a exemplo da capoeira e do samba, sejam reconhecidas como patrimônio cultural brasileiro. O prefeito Pedro Ilkiv afirmou que a publicação será uma referência da cultura ucraniana no Paraná  e um incentivo para os jovens preservá-la.

FICHA TÉCNICA

Pêssanka – ovos escritos, expressão da cultura ucraniana no Brasil

Coordenação geral dos textos – Vilson José Kotviski

Fotografias – João Marcos Hunhevicz e Lucio Kurten dos Passos

Capa e produção gráfica – Luciane Mormello Gohl e Fernando Cesar Gohl

Acompanhamento técnico e revisão de textos – Janaína dos Santos Moscal, Juliano Martins Doberstein e Lia Mity Ono

Impressão – Gráfica Editora Kaygangue Ltda

146 páginas

ISBN 978-86-89625-32-6

Novo Conceito – Assessoria em Comunicação
Jornalista responsável e fotos
Maria Isabel Maranhão Ritzmann – MTB 5838

Texto: Ana Maria Ferrari

Seminário de Patrimônio Ferroviário: reflexão, mobilização e troca de experiências

O Seminário de Patrimônio Ferroviário, promovido pelo Iphan Paraná, no auditório do Goethe Institut de Curitiba, terminou no dia 13 de novembro, com mais uma série de apresentações de experiências sobre a preservação do patrimônio ferroviário nacional.

As considerações do professor Eduardo Romero Oliveira na palestra Memória, Território e Ativação: observações sobre o Patrimônio Ferroviário Paulista abriram o terceiro dia do seminário 

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O professor abordou os patrimônios remanescentes industriais a partir de uma reflexão sobre a transformação de seus valores e usos. E fez um relato sobre as práticas preservacionistas contextualizando alguns processos engendrados durante a comemoração do centenário de implantação da ferrovia no Brasil. Acrescentou também que a preservação desse patrimônio ferroviário deve passar pelas políticas públicas de planejamento urbano, pensando a ferrovia a partir de questões atuais como mobilidade, moradia, sustentabilidade, cuidado com os idosos, entre outras questões contemporâneas. O professor trouxe também alguns dados de pesquisas em andamento, relativos à destinação e ao “uso cultural” do patrimônio ferroviário. Ele acredita que para preservar é preciso fazer com que esses bens ferroviários tenham utilidade, senão corre-se o risco de se transformarem apenas em tótens. “O patrimônio ferroviário deve corresponder a questões contemporâneas”, afirmou.

As boas práticas 

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No Painel Boas Práticas participaram a professora Ana Inez Schreiner, Mestre em Patrimônio Cultural e Sociedade pela Univille; Adonai Aires de Arruda Filho, Diretor da Serra Verde Express e Vice-presidente da ABOTTC – Associação Brasileira das Operadoras de Trens Turísticos e Culturais; Regina Célia Alegro, Diretora do Museu Histórico de Londrina; Ednei Mansano, Presidente da Fundação Cultural e de Turismo de Apucarana; Rosi Rogenski Fereira, Vice-prefeita e secretária de Educação de Arapoti, e Pedro Leocádio Delgado, Secretário de Indústria, Comércio e Turismo de Jaguariaíva.

DSC_0086A professora Ana Inez Schreiner falou sobre a Estação Ferroviária de Porto União (SC) e União da Vitória (PR). Relatou as experiências de preservação da memória ferroviária dessas duas cidades, o trabalho de restauro feito no prédio e quais usos estão sendo dados à estação e vila ferroviária.

Na sequência, Adonai Arruda Filho, falou sobre Trens Turísticos, apresentando os procedimentos e requisitos para a implantação, além de dados e informações recentes sobre o funcionamento de trens turísticos no Brasil. Atualmente são 33 trens de turismo compondo o patrimônio ferroviário nacional em operação. Ele concluiu lembrando que viajar de trem também é uma forma de preservar. Contou que no ano passado mais de 3,5 milhões de pessoas fizeram viagens de trem nos vários roteiros disponíveis no país.DSC_0102

DSC_0116Regina Celia Alegro apresentou o Museu Histórico de Londrina, vinculado a Universidade Estadual de Londrina, que ocupa o prédio da antiga Estação Ferroviária de Londrina, que por suas linhas arquitetônicas constitui-se em marco histórico da colonização inglesa do Norte do Paraná. A missão do Museu é desenvolver ações de resgate, preservação e divulgação do patrimônio cultural de Londrina e região, procurando tornar visível a trajetória histórica de sua sociedade; dar suporte ao ensino, pesquisa e extensão e promover a reflexão crítica da realidade histórica, contribuindo para a renovação e melhoria da qualidade de vida e da dimensão cultural da população. E dentro desse patrimônio encontra-se a memória ferroviária da região. De acordo com ela, a ferrovia é um elemento fundamental para Londrina e foi responsável pelo seu desenvolvimento. Lembrou que a cabine da bilheteria da estação ferroviária foi restaurada e encontra-se no hall do museu. O acervo do museu ainda conta 340 peças, incluindo dois carros ferroviários, uma locomotiva, um tender de abastecimento, vestuários, uniformes, objetos de trabalho do cotidiano da ferrovia, itens de comunicação, relógios entre outros. Informou que todo o trabalho de preservação é feito por meio de parcerias. Atualmente, o Museu recebe mais de 43 mil visitantes ao ano e desenvolve atividades com o apoio do PROEXT – Programa de Extensão Universitária.

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DSC_0160O Museu Histórico do Café foi o tema da apresentação de Ednei Mansano. Ele contou que o município de Apucarana realizou a restauração da antiga estação ferroviária e de três casas, localizadas em 12 mil metros quadrados, que abrigam hoje o Espaço Cultural Pioneiros do Café, localizado no Distrito de Pirapó. De acordo com ele, a estruturação do espaço ocorreu em quatro fases. A primeira foi a aprovação do plano de revitalização da Estação Ferroviária de Pirapó, com a avaliação do Iphan e liberação de recursos financeiros. As obras de revitalização, a busca de acervo técnico do museu e estruturação dos recursos humanos para a inauguração constituíram as demais fases do projeto. Todo o processo de restauro e reforma manteve as características originais, preservando a memória cultural e histórica das construções. O terreno recebeu obras de urbanização externa.

DSC_0182A vice-prefeita de Arapoti Rosi Rogenski Ferreira trouxe para o Seminário a experiência da cidade em relação à preservação do patrimônio ferroviário local. A Casa da Cultura – Memoria Capão Bonito, instalada na estação ferroviária está interditada. Mas ressaltou que todo o acervo da estação está preservado e tombado pelo patrimônio. Disse que a cidade se formou em torno da estrada de ferro e que a ferrovia foi fundamental para o desenvolvimento econômico, social e cultural de Arapoti. Lamentando as condições em que se encontra a estação – “condenada por causa dos cupins”, Rosi informa que em 2015 a estação completa 100 anos e que espera que consiga os recursos necessários para restaurar a estação como uma forma de comemorar o seu centenário. Destacou que quer revitalizar os vagões que abrigam oficinas de artesanato, atividades de teatro, de dança, gastronomia e eventos culturais diversos. 

DSC_0263Segundo o secretário de Jaguariaíva, Pedro Leocádio, a estação ferroviária da cidade de Jaguariaíva se constitui num belo exemplar arquitetônico. Construída em alvenaria no padrão de uma estação de médio porte possui estrutura de uma estação de primeira classe. A atual estação teve sua inauguração no ano de 1935. Para ele, assim como ocorreu em outras cidades brasileiras, a instalação da estação passou a constituir ponto de referência para a comunidade. Por isso, atualmente a cidade esta dividida geograficamente em duas partes: Cidade Alta, originária da antiga fazenda da família Lobo, e Cidade Baixa, formada após a implantação dos trilhos da ferrovia São Paulo – Rio Grande e de sua respectiva estação. A cidade favorecida por este meio de transporte assumia uma postura de progresso, já que a invenção mais fascinante do século estava lá, atraindo pessoas, negócios e melhorias urbanas. Nesta perspectiva sobre a ferrovia, foram atraídos investimentos em Jaguariaíva, como as indústrias Matarazzo, que lá se instalaram em 1920. Incrementaram a economia local instalando um parque fabril com um grande frigorífico. Pedro Leocádio conta que a estação era muito movimentada com a venda de 500 bilhetes por dia. Com a desativação da ferrovia, o município passou a dar uma utilização ao espaço com a realização de atividades culturais e turísticas. “Fizemos uma Estação Cidadã, com serviços do Ministério Público, defensoria, Procon, Serviço Militar, centro de informações turísticas etc.”. Também tem um escritório do sindicato dos ferroviários (atualmente são 200). No complexo Matarazzo, a cidade mantém almoxarifados das secretarias e os 100 carros oficias, além do cineteatro com capacidade para 290 pessoas.

No pronunciamento que encerrou o Seminário, o superintendente do Iphan no Paraná, José La Pastina Filho, agradeceu a todos pela participação no encontro. “A riqueza das experiências, o compartilhamento de ideias e conhecimentos foram fundamentais. A vivência mostrada aqui comprova a preocupação da sociedade, das universidades, das instituições públicas e privadas na preservação e manutenção do acervo ferroviário do país”.

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Texto: Ana Maria Ferrarini

Fotos: Zinho Gomes

Novo Conceito Assessoria em Comunicação

Diversidade e determinação marcam Festival Interestadual de Capoeira

Evento contou com apoio da Superintendência do IPHAN no Paraná e foi realizado em Cascavel

Recentemente, Cascavel recebeu capoeiristas de todo o Paraná, que participaram do Festival Interestadual de Capoeira, organizado pelo Mestre Mestrinho, do Grupo Capoeira- Arte & Luta. O evento contou com apoio do Iphan Paraná – Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico Nacional, da Prefeitura Municipal de Cascavel e do SESC – Serviço Social do Comércio, e teve como objetivos promover e fortalecer a capoeira no país, registrada como patrimônio cultural brasileiro em 2008.

O festival, que comemora 33 anos, contou com a presença dos mestres Dea do grupo Kauande Capoeira, Xandão, Xandinho, Silveira da Capoeira Praia de Salvador, de Curitiba; de Matinhos marcaram participação os contramestres Danilo e Lidiomar Lontra, e o mestre Saruê, do Grupo Zoeira Nagô, e do mestre Praia. Ainda, prestigiaram o festival representantes dos municípios de São Pedro do Iguaçu, Vera Cruz do Oeste e Toledo.

No evento, foram graduados mais 100 alunos, entre crianças, jovens e adultos, de todos os segmentos sociais, das APAES, escolas públicas municipais e academias de capoeira. Com o apoio do Iphan do Paraná, o festival custeou a vinda dos colaboradores que realizaram as oficinas, ação de fortalecimento do grupo e de troca de conhecimento entre os capoeiristas. A organização do evento presenteou os participantes com camisetas e pastas.

Segundo o mestre Mestrinho, coordenador do encontro, no próximo dia 15 de dezembro acontece a última edição do festival deste ano. Para ele, o evento pode ser definido com apenas uma palavra: diversidade. “A diversidade é referência”. O contramestre Xandinho considerou que o festival foi marcado pela determinação. “Os paranaenses são muito determinados”, destacou.

Durante o festival, o historiador Juliano Martins Doberstein, do Iphan do Paraná, fez uma palestra abordando a capoeira como patrimônio cultural brasileiro. Na programação também foi realizada uma reunião do Comitê Gestor da Salvaguarda da Capoeira no Paraná e do Iphan Paraná, na sede do SESC. De acordo com Doberstein, o comitê, composto por 11 capoeiristas de diferentes regiões do estado, foi formado em novembro de 2012, durante a realização do I Seminário de Patrimônio Imaterial e Cultura Afro-Brasileira, com o objetivo de colaborar com o Iphan na gestão de ações, que visem à promoção e ao fortalecimento da capoeira no país. No calçadão da Avenida Brasil aconteceu a roda de capoeira.

A programação do festival foi encerrada com o batizado e formatura dos alunos, realizada no Centro Cultural Gilberto Mayer, no centro da cidade.

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Texto: Ana Maria Ferrarini

Fotos: Zinho Gomes

Novo Conceito Assessoria em Comunicação

Panorama do Segundo Dia do Seminário de Patrimônio Ferroviário

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Estudos da UEPG sobre preservação e usos do patrimônio ferroviário

Estudos da Universidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG sobre a preservação e usos do patrimônio ferroviário foram tema da palestra do professor e pesquisador Leonel Brizolla Monastirsky, proferida no segundo dia do Seminário de Patrimônio Ferroviário, em Curitiba. Filho de ferroviário, Leonel viveu a ferrovia e morou às margens da linha férrea. Em sua apresentação, levantou questões interessantes e mostrou os trabalhos que contribuem para os debates sobre a savalguarda do patrimônio cultural sob os pontos de vista da escolha, conservação e uso dos espaços, incluindo os bens materiais e imateriais.  Lembrou que a ferrovia é considerada patrimônio cultural em todo o mundo. Também falou sobre o impacto que a ferrovia trouxe para a economia, integração do Brasil no mercado mundial, ocupação populacional e das fronteiras agrícolas, além da urbanização e a memória social. Para ele, o processo de preservação desse patrimônio cultural dever passar pela implantação de políticas públicas, e o Iphan deve normatizar a escolha, conservação e o uso e aos governos cabe a execução.

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DSC_0035A memória dos ferroviários antigos na preservação do patrimônio ferroviário

Mestre em geografia, Viviane Caliskevstz, durante o Seminário de Patrimônio Ferroviario, falou sobre sua cidade natal – Fernandes Ribeiro – que cresceu e se desenvolveu por causa da ferrovia. De acordo com ela, a ferrovia se apresenta como uma transformadora de processos econômicos e da socieade do século xx. Em sua palestra, Viviane focou os estudos que realizou com os idosos que vivem em cidades que surgiram às margens da malha ferroviária, e apresentou alguns relatos de ferroviários. Destacou que essas pessoas devem ser reconhecidas como patrimônio cultural vivo e problematizou as formas de transmissão desses saberes como condição para tal reconhecimento. Como incluir a memória dos ferroviarios?

Paulo Sidney, engenheiro da exitnta RFFSA, que participou da palestra, afirmou a importância do trabalhador ferroviário para o desenvolvimento do Brasil. “Eu sou de família ferroviária. Ser ferroviário não é uma profissão, é uma paixão”. Lembrou de sua vida na ferrovia, das sensações e da participação dela na história das pessoas, além do papel de abrir as fronteiras para conhecer o mundo. Segundo ele, quando a RFFSA foi privatizada, os ferroviários que atuavam na época recolheram do lixo da concessionária mais de duas mil peças que hoje estão em museus de todo o Paraná e compõem hoje a memória da ferrovia no estado.

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Experiências de recuperação do patrimônio ferroviário em Santa Catarina

Santa Catarina possui uma malha ferroviária menor em comparação ao Paraná e São Paulo. Mas tem boas experiências de recuperação de gestão do patrimônio ferroviário. A Superintendente do Iphan em Santa Catarina, Liliane Janine Nizzola, e a arquiteta e urbanista do instituo, Cristiane Biazin, apresentaram no Seminário de Patrimônio Ferroviário as ações e iniciativas desenvolvidas. De acordo com elas, Santa Catarina tem 51 bens inscritos e valorados na lista do patrimônio cultural ferroviário. São 13 estações, 9 armazéns, 15 casas ferroviárias, 2 casas de agente, 2 restaurantes e 10 terrenos. Elas descreveram os projetos desenvolvidos nos bens ao longo da malha ferroviária catarinense, ressaltando que tanto a sociedade civil, a prefeitura e a concessionária vem compartilhando as ações. Ressaltaram que o uso tem sido para a implantação de museus, arquivos públicos e históricos, escritório do Iphan, fundação cultural etc.

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Mesa debate gestão do patrimônio ferroviário

Gestão do patrimônio ferroviário foi debatida durante o segundo dia do Seminário de Patrimônio Ferroviário. Participaram das discussões José Rodrigues Cavalcanti Neto, coordenador do Patrimônio Ferroviário do Iphan, Dinarte Antônio Vaz, superintendente da SPU no Paraná, Geraldo José Sigwait Ramires, engenheiro do DNIT-PR, Sérgio Augusto Fernandes, Engenheiro Especialista em regulação da ANTT e José Luiz Oliveira, Coordenador- Geral de Patrimônio Ferroviário do DNIT. Eles apresentaram as ações desenvolvidas pelos órgãos na questão da gestão do patrimônio ferroviário. Disseram que o espólio da extinta RFFSA é gigantesco. Tem 37 mil quilômetros de malha ferroviária e mais de 51 mil bens imóveis não operacionais e cerca de 55 mil imóveis operacionais. Afirmaram também que é imenso o acervo documental (fotografias, plantas, etc.). Comentaram também sobre a fiscalização de obras que estão sendo solicitadas e realizadas nos bens ferroviários, problemas burocráticos e compartilhamento de atividades. Concordaram que não dá para preservar tudo como memória ferroviária e enfatizaram a falta de recursos e o número reduzido de funcionários que atuam nesses órgãos.

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Experiência de recuperação da estação ferroviária de Ibiporã

O secretário  de Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal de Ibiporã, arquiteto Julio Dutra, trouxe para o segundo dia do Seminário de Patrimônio Ferroviário, a experiência de recuperação da Estação Ferroviária de Ibiporã. Hoje no local funciona o Centro Socioeducacional Turístico e Cultural de Ibiporã. O imóvel, oriundo da extinta RFFSA, foi cedido ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), para que o município realizasse a sua revitalização. O bem se encontrava em estado de abandono desde a década de 70. Segundo Dutra, o  novo complexo está situado na antiga área da Estação Ferroviária, onde foi instalado o Museu do Café, um Centro de Produção de artesanato, gastronomia, costura e telecentro; a nova sede da Secretaria Municipal de Educação, incluindo um anfiteatro, bem como a nova sede da Secretaria Municipal de Assistência Social, o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS). Com este projeto, a área torna-se um ponto obrigatório de visitação de turistas e de espaço de convivência para as famílias.

Museu conta a história ferroviária de Curitiba DSC_0239

A curadora Fernanda Souza, apresentou aos participantes do Seminário do Patrimônio Ferroviário, o do Museu Ferroviário de Curitiba. Com um acervo de mais de 600 peças, o museu tem por objetivo preservar a memória ferroviária, que apresentou participação fundamental na história da economia paranaense e brasileira, segundo Fernanda. Entre os itens do acervo, se destacam um grande livro de contabilidade da antiga estação, relógios, telégrafos e uma réplica de locomotiva a vapor. O local oferece visitas monitoradas para grupos escolares, podendo ser personalizada de acordo com o nível escolar e os assuntos debatidos pelos alunos em sala de aula. Por meio de diversos painéis que apresentam o desenvolvimento dos transportes, as importações e exportações e, também, a economia da cidade, o Museu Ferroviário de Curitiba conta parte da história social e econômica da capital paranaense. Localizado no Shopping Estação, o museu é um convite para uma viagem histórica, que tem início na bilheteria original e nas peças de antigas estações e trens. O Museu Ferroviário é um dos pontos turísticos de Curitiba e recebe, entre 8 e 9 mil pessoas por mês.

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Os ferroviários da Estada de Ferro Madeira- Mamoré

Conhecida como a Ferrovia do Diabo, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré foi construída às margens dos rios Mamoré e Madeira, em Rondônia. Uma vez finalizada, possuía 364 quilômetros de extensão. Durante 40 anos, as obras começaram e foram interrompidas por três vezes. O principal obstáculo para a viabilização do projeto eram as doenças que assolavam a região: malária, tifo e beribéri. Outro problema eram os ataques de índios. Pessoas de 40 nacionalidades participaram da construção da Madeira-Mamoré. A ferrovia foi inaugurada em 1º de agosto de 1912. A estrada acabou sendo desativada em 1972. Em 1980, o governo de Rondônia iniciou um projeto de recuperação. Os 7 quilômetros reconstituídos operaram com fins turísticos até 2000.

Após apresentar um panorama da estrada de ferro, a historiadora Carolina Pena de Alencar mostrou seu trabalho de memória oral realizado no local com os ferroviários. Ela mostrou tambem a recuperação dos equipamentos da ferrovia, incluindo um grande galpão, que após a desativação da linha, foi ocupado por usuários de drogas e moradores de rua. Ela também falou sobre a afetividade que os ferroviários nutrem pela ferrovia. “São pessoas de mais de 80 anos que passaram a cuidar da estação e da ferrovia após a desativação. Reunidos em uma cooperativa conseguiram recuperar e revitalizar o local”, afirma. Carolina colheu depoimentos emocionantes dos ferroviários sobre como ingressaram no trabalho, a função que exerciam, o sistema disciplinar, a desativação e depois a ativação para fins turísticos. Para ela, ficou claro que o grupo almeja as políticas preservacionistas.

texto: Ana Maria Ferrarini /Novo Conceito Assessoria em Comunicação

Iphan no Paraná abre Seminário de Patrimônio Ferroviário

O Superintendente do Iphan no Paraná, José La Pastina Filho, abriu nesta segunda-feira (11 de novembro), o Seminário de Patrimônio Ferroviário, que reúne até quarta-feira (13 de novembro) gestores municipais, representantes de instituições culturais, professores e estudantes universitários, no auditório do Goethe-Institut de Curitiba.
Ao lado do coordenador de Patrimônio Ferroviário do Iphan, José Rodrigues Cavalcanti Neto, do Superintendente do Patrimônio da União no Paraná, Dinarte Antonio Vaz; e Mauro Mello Piazzetta, chefe da Unidade Regional de Curitiba da Inventariança da extinta Rede Ferroviária Federal S.A. – RFFSA, La Pastina falou da importância do evento para a preservação do patrimônio ferroviário paranaense.
 “Os temas apresentados no encontro, com certeza, são relevantes para a viabilização da guarda adequada e novos usos do patrimônio ferroviário brasileiro, ampliando a participação da sociedade civil, governos estaduais e municipais, instituições culturais e iniciativa privada”.  Desde 2007, o Iphan tem a incumbência de analisar e declarar valor cultural aos bens móveis e imóveis oriundos do espólio da extinta RFFSA.
Para Dinarte Vaz e Mauro Piazzetta, o seminário é uma oportunidade de compartilhar ideias e experiências que reverterão em resultados positivos para a ampliação da preservação do patrimônio ferroviário no país e, principalmente, no Paraná.
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Experiências positivas em Minas Gerais 
foto palestra matheus
O arquiteto e urbanista do Iphan em Minas Gerais, Matheus Guerra Cotta, apresentou durante o Seminário de Patrimônio Ferroviário, experiências bem conduzidas em regiões do estado mineiro. Falou também sobre a legislação que prevê a cessão de uso dos espaços do espólio da RFFSA para projetos de preservação do meio ambiente cultural. Entre as experiências, Matheus citou o projeto que está sendo realizado em Sertãozinho (SP), numa antiga usina de açúcar. Trata-se de uma ação denominada de Zeladoria do Patrimônio. Foram selecionados 15 jovens da região, todos com ensino médio, e eles ganham uma bolsa em reais por mês para aprender a lidar e cuidar de um prédio histórico. De acordo com ele, a ideia de formar zeladores do patrimônio para conservar bens públicos pode também ser adotada para preservar a memória ferroviária.
Importância da ferrovia no desenvolvimento do Paraná foto palestra arnoldo
Em sua palestra sobre a importância da ferrovia no desenvolvimento do Paraná, durante o Seminário de Patrimônio Ferroviário, o radialista e pesquisador Arnoldo Monteiro Bach contou um pouco sobre os livros que escreveu e que retratam a história do Paraná. Em especial falou sobre o título “Trens”, uma pesquisa sobre os meios de transportes utilizados no estado, começando pelos carroções, passando pelas diligências e vapores até a construção da ferrovia Paranaguá-Curitiba.   A narrativa conta com muitos personagens e fatos históricos e mostra a evolução dos transportes de carga e de passageiros. Segundo ele, a chegada do trem no Paraná foi um acontecimento na época, gerou até mesmo protestos dos carroceiros que se sentiram ameaçados pela novidade. “Procurei mostras o vínculo afetivo, econômico e social das pessoas à ferrovia. Espero que este seminário seja uma reflexão sobre a importância de se resgatar e preservar a história das ferrovias”.
Mesa de Debate: Gestão do Patrimônio Ferroviário
Gestão do Patrimônio Ferroviário foi o tema discutido na mesa redonda do Seminário de Patrimônio Ferroviário, e contou com a participação  do ex-Gestou Governamental no Paraná, Paulo de Tarso Barreto de Faria; do Chefe da chefe da Unidade Regional de Curitiba da Inventariança da extinta RFFSA, Mauro Mello Piazzetta, e do  Procurador da República no município de Apucarana, Dr. Gustavo de Carvalho Guadanhin.
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Em sua fala, Paulo de Tarso frisou que a gestão do patrimônio ferroviário é um assunto muito complicado. “Acredito que isso não existe. Não temos expertise. Precisamos de estrutura, de marketing e de equipe de negociadores que assessorem as instituições que desejam ocupar os espaços do espólio da RFFSA no Paraná. Ampliar e facilitar o acesso ao crédito e ao financiamento para que estas instituições tenham condições de cumprir o contrato e usar os prédios públicos de maneira a respeitar a preservação da memória desses locais”.
Piazzetta contou que foram inventariados todos os bens integrantes do patrimônio da RFFSA num trecho de dois mil quilômetros linha férrea. Até hoje, 30 mil peças já foram catalogadas. Das 160 estações operando antes da privatização, apenas 22 estão abertas atualmente e sob a responsabilidade da América Latina Logística – ALL, concessionária que administra a malha ferroviária no Paraná.
Para ilustrar o trabalho do Ministério Público em relação à preservação do patrimônio ferroviário do Paraná, o procurador da República Guadanhin lembrou sobre o Termo de Ajustamento de Conduta – TAC firmado com a América Latina Logística (ALL), no qual a concessionária se comprometeu a restaurar seis estações ferroviárias em cinco municípios na região. Na ocasião, a ALL estaria descumprindo seu dever legal e contratual de preservar aqueles bens – muitos dos quais patrimônios tombados e cuja paisagem ferroviária foi reconhecida de interesse do Iphan.
Trilhos revelam a paisagem ferroviária de Curitiba
foto palestra dayana e fabianoA antropóloga e pesquisadora Dayana Zdebsky e o historiador Fabiano Stoiev apresentaram no Seminário de Patrimônio Ferroviário a pesquisa “Pelos Trilhos: paisagens ferroviárias de Curitiba”, primeiro volume da coleção “Registro & Identificação”, viabilizada pela Fundação Cultural de Curitiba, por meio do Fundo Municipal de Cultura.  Durante oito meses, dois ramais ferroviários foram totalmente esquadrinhados e palmilhados diariamente, resultando em fotografias, entrevistas, levantamentos arquitetônicos, anotações de leituras e impressões em blog e site. O trabalho mostrou a importância da ferrovia na constituição de Curitiba, a urbanização e a ocupação às margens dos ramais ferroviários, com viés marcando as questões antropológicas, econômicas, sociais e históricas, no período de 1880 até hoje.
Desafios da Preservação do Patrimônio Ferroviário
O arquiteto e urbanista Antonio Soukef Jr., com larga experiência na área de restauração do patrimônio histórico, trouxe para o Seminário de Patrimônio Ferroviário suas impressões sobre a maior ferrovia brasileira a Estrada de Ferro de São Paulo, mas precisamente entre Santos e Jundiaí, trecho construído e administrado pela Companhia Brazil Railway, da Inglaterra. Mostrou a situação dos edifícios da São Paulo Railway, procurando chamar a atenção para a relevância que seu acervo adquiriu como patrimônio industrial. Em ambas as cidades, sobreviveram exemplares significativos que se encontram ameaçados pelo desconhecimento de seus valores e por conta de ações que são executadas visando interesses especulativos em detrimento dos valores culturais e históricos.
foto palestra soukef

Festival Interestadual de Capoeira em Cascavel

No sábado (9) e domingo (10), em Cascavel, acontece o Festival Interestadual de Capoeira, organizado pelo Mestre Mestrinho, do Grupo Capoeira Arte & Luta. O evento conta com apoio da Superintendência do Iphan no Paraná, da Prefeitura Municipal de Cascavel e do SESC – Serviço Social do Comércio.
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A programação do encontro inclui cursos, rodas de capoeira, batizado e formatura de capoeiristas e, ainda, a palestra A Capoeira como Patrimônio Cultural Brasileiro  do historiador do Iphan, Juliano Martins Doberstein.
Também integra a programação do festival a reunião do Comitê Gestor da Salvaguarda da Capoeira no Paraná, na sede do SESC.
O comitê é composto por 11 capoeiristas de diferentes regiões do estado e foi formado em novembro de 2012, durante a realização do I Seminário de Patrimônio Imaterial e Cultura Afro-Brasileira, com o objetivo de colaborar com o IPHAN na gestão de ações para a promoção e o fortalecimento da capoeira no país, registrada como patrimônio cultural brasileiro em 2008.
PROGRAMAÇÃO
 
FESTIVAL INTERESTADUAL DE CAPOEIRA
Sábado – 9 de novembro
 
Curso com contramestre Xandão
Horário: das 8h45 às 15 horas
Local: Ginásio de Esportes do Colégio Expressão (Rua Recife, 1013 – Centro)
Roda da Amizade
Horário: das 11h30 às 12h30
Local: Calçadão da Avenida Brasil em frente à Igreja Matriz
Palestra de Juliano Martins Doberstein, historiador do IPHAN
Tema: A Capoeira como Patrimônio Cultural Brasileiro
Horário: das 14 às 15 horas
Local: Colégio Expressão  (Rua Recife, 1013 – Centro)
Curso com contramestre Xandinho
Horário: das 15h30 às 17h30
Local: Ginásio de Esportes do Colégio Expressão (Rua Recife, 1013 – Centro)
Reunião do Comitê Gestor da Salvaguarda da Capoeira no Paraná e IPHAN
Horário: das 18 às 20 horas
Local: SESC – Serviço Social do Comércio (Rua Carlos de Carvalho, 3367)
Domingo – 10 de novembro
 
Batizado e formatura dos capoeiristas
Horário: das 10 às 12 horas
Local: Centro Cultural Gilberto Mayer (Rua Duque de Caxias, 379)
Jornalista Ana Maria Ferrarini