Fandango Caiçara é reconhecido como patrimônio cultural brasileiro

Fandango

Mestre Nemésio, presidente do grupo Pés de Ouro

Muito mais do que uma música: uma expressão cultural. Assim pode ser definido o Fandango Caiçara – o mais novo patrimônio cultural brasileiro. Encontrado principalmente em municípios do litoral paulista e paranaense o Fandango é uma forma de expressão vinculada à organização de trabalhos coletivos – onde vizinhos se reúnem para ajudar a erguer uma casa ou durante os preparativos para um casamento. Ao fim do dia, o organizador oferece como pagamento aos ajudantes voluntários um fandango, espécie de baile com comida farta.

Hoje em dia, as comunidades caiçaras comemoram com fandango os aniversários, casamentos, batizados, a Festa de São Pedro, as romarias do Divino e a louvação a São Gonçalo. São momentos onde a comunidade atualiza as notícias e reforça as relações de parentesco, a convivência entre tocadores, dançadores, preservando a memória e a prática das diferentes músicas e danças. Mas nem sempre foi assim. Antigamente, o Fandango era muito mais presente na vida da comunidade.

“Na época dos meus pais, dos meus avós, era só Fandango que tinha. Não tinham outras diversões. No sítio era liberado fazer a roça de milho, de arroz, e a gente trabalhava, todo mundo junto – durante o dia – e à noite dançava fandango”, conta Mestre Nemésio, presidente do grupo Pés de Ouro, um dos grupos que mantém a tradição do Fandango viva no litoral paranaense. “Hoje em dia, se não fossem os grupos não tinha mais a tradição. E isso aconteceu porque entrou a lei (referindo-se às leis ambientais que proíbem, entre outras coisas, o roçado em áreas protegidas – tradicional meio de subsistência dos caiçaras). Por causa dela, a gente não pode mais roçar e o pessoal foi tudo embora. Tão sofrendo na cidade porque não tem mais como trabalhar a terra. E assim o fandango quase caiu no esquecimento. Só através dos grupos é que ele ainda tá vivo”, completa Mestre Nemésio.

Segundo o Mestre, o Fandango se dá ao som da rabeca e da viola, mas é no ritmo do tamanco dos homens que ele toma vida. “O tamanco é o principal instrumento do Fandango. É ele que marca a batida. E só os homens batem. As mulheres não, elas não podem colocar o tamanco. Se ela coloca e vai tentar bater fica diferente. Tem que seguir a tradição”, explica.

Com o reconhecimento do Fandango como Patrimônio Cultural Brasileiro, que aconteceu em novembro de 2012, Mestre Nemésio acredita que a tradição vá ganhar mais um aliado: a preservação. “Agora com o Fandango reconhecido a gente tem uma segurança a mais. Quem sabe o governo ajuda a gente a construir uma associação de fandangueiros. Isso é importante pra nós, pra gente poder conquistar um lugar pra nós trabalhar, fazer oficina, ensinar e ensaiar”, completa o Mestre.

Confira abaixo uma galeria de fotos da apresentação que aconteceu em dezembro de 2012 na Ilha do Mel:

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Sobre Iphan/PR

Há mais de 60 anos, o Iphan vem realizando um trabalho permanente de identificação, documentação, proteção e promoção do patrimônio cultural brasileiro. A 10ª Coordenação Regional, atual Superintendência Estadual do Iphan em Curitiba, surgiu a partir da evolução do Escritório Técnico do Paraná, criado em 1984 e subordinado até 1990 à 9ª CR.

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